Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

Acesso à saúde


“Mesmo assim, uma duplicação das taxas é um aumento brutal, não só pelo aumento das taxas, mas porque os cidadãos estão a ser esmagados por todas as vias, com redução dos salários e aumento dos impostos”

As palavras são de José Manuel Silva, bastonário da Ordem dos Médicos, a propósito dos aumentos, próximos do insuportável, que entraram em vigor no primeiro dia do novo ano. No continente, o acesso à urgência passa a custar 10 euros nos centros de saúde e 20 euros nos hospitais, isto sem contar com o pagamento de eventuais exames complementares de diagnóstico. As consultas de outros profissionais de saúde passam a custar 5 euros. Nos Açores, por enquanto, as coisas mantêm-se como estão.
Ainda em 2010, a Organização Mundial de Saúde avisava para a dificuldade verificada em Portugal no acesso a médicos, em particular o acesso a médicos especialistas. Estas carências notavam-se sobretudo nas regiões do interior.
Numa altura de crise, onde vários problemas de saúde têm tendência a agravar-se, diminui-se o acesso a cuidados. A trajectória de melhoria dos serviços de saúde em Portugal, que se notou do período pós 25 de Abril até aos dias de hoje, sofre, tudo leva a crer, um revés muito significativo. E tudo porque pura e simplesmente as pessoas não têm como pagar as “taxas moderadoras”. O resultado será o evitamento dos hospitais e centros de saúde até onde se conseguir. O acesso a tratamento será certamente reduzido, por via desta política. 
Parece-me a mim que a necessidade de alguma contenção financeira no sector da saúde não pode ser conseguida à custa do sacrifício dos direitos mais básicos dos cidadãos. O tribunal de contas aponta para 25% de desperdício no sistema nacional saúde. Se calhar é por aí que se deve começar.
Sobre a dificuldade de acesso à saúde, a respeitada revista Lancet, no dia 22 de Outubro de 2011, publicou um estudo sobre as consequências da crise Grega na saúde dos seus cidadãos. Na conclusão do estudo, estava escrito o seguinte:

“Em geral, o quadro de saúde dos gregos é preocupante. Recorda-nos que, num esforço para se financiar as dívidas, o cidadão comum está a pagar um preço muito alto: perda do acesso aos cuidados de saúde e a serviços de natureza preventiva, enfrentando o aumento de casos de HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis, e nos casos piores, a perda das suas vidas. É necessária maior atenção à saúde e ao acesso a cuidados de saúde, de modo a assegurar que a crise grega não destrói a principal fonte da saúde do país: os seus cidadãos.”


Será este estudo um prenúncio do que acontecerá em Portugal?

1 comentários:

Anónimo disse...

Isto é só o inicio, agora é que se estão a descobrir o verdadeiro estado das coisas...quando se souber melhor...ainda vai ser pior do que parece...havemos de ficar como a america...n tem dinheiro..entao, porta fora!