“Mesmo assim, uma duplicação das
taxas é um aumento brutal, não só pelo aumento das taxas, mas porque os
cidadãos estão a ser esmagados por todas as vias, com redução dos salários e
aumento dos impostos”
As palavras são de José Manuel
Silva, bastonário da Ordem dos Médicos, a propósito dos aumentos, próximos do
insuportável, que entraram em vigor no primeiro dia do novo ano. No continente,
o acesso à urgência passa a custar 10 euros nos centros de saúde e 20 euros nos
hospitais, isto sem contar com o pagamento de eventuais exames complementares
de diagnóstico. As consultas de outros profissionais de saúde passam a custar 5
euros. Nos Açores, por enquanto, as coisas mantêm-se como estão.
Ainda em 2010, a Organização
Mundial de Saúde avisava para a dificuldade verificada em Portugal no acesso a
médicos, em particular o acesso a médicos especialistas. Estas carências
notavam-se sobretudo nas regiões do interior.
Numa altura de crise, onde vários
problemas de saúde têm tendência a agravar-se, diminui-se o acesso a cuidados.
A trajectória de melhoria dos serviços de saúde em Portugal, que se notou do
período pós 25 de Abril até aos dias de hoje, sofre, tudo leva a crer, um revés
muito significativo. E tudo porque pura e simplesmente as pessoas não têm como
pagar as “taxas moderadoras”. O resultado será o evitamento dos hospitais e
centros de saúde até onde se conseguir. O acesso a tratamento será certamente
reduzido, por via desta política.
Parece-me a mim que a necessidade
de alguma contenção financeira no sector da saúde não pode ser conseguida à
custa do sacrifício dos direitos mais básicos dos cidadãos. O tribunal de
contas aponta para 25% de desperdício no sistema nacional saúde. Se calhar é
por aí que se deve começar.
Sobre a dificuldade de acesso à
saúde, a respeitada revista Lancet,
no dia 22 de Outubro de 2011, publicou um estudo sobre as consequências da
crise Grega na saúde dos seus cidadãos. Na conclusão do estudo, estava escrito o
seguinte:
“Em geral, o quadro de saúde dos
gregos é preocupante. Recorda-nos que, num esforço para se financiar as
dívidas, o cidadão comum está a pagar um preço muito alto: perda do acesso aos
cuidados de saúde e a serviços de natureza preventiva, enfrentando o aumento de
casos de HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis, e nos casos piores, a
perda das suas vidas. É necessária maior atenção à saúde e ao acesso a cuidados
de saúde, de modo a assegurar que a crise grega não destrói a principal fonte
da saúde do país: os seus cidadãos.”
Será este estudo um prenúncio do
que acontecerá em Portugal?
1 comentários:
Isto é só o inicio, agora é que se estão a descobrir o verdadeiro estado das coisas...quando se souber melhor...ainda vai ser pior do que parece...havemos de ficar como a america...n tem dinheiro..entao, porta fora!
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