Recentemente vieram a público as
estatísticas do desemprego na região. Ficamos a saber que o número de
desempregados nos Açores aumentou 50% no último ano, para os 9032. Em
contraponto, as ofertas de emprego, imagine-se, são apenas 5.
Outro dado preocupante verificado
diz respeito à emergência progressiva do desemprego entre pessoas jovens e
qualificadas. É nessa realidade que me incluo e sobre a qual vos quero falar. A
minha história reflecte o percurso de muitos jovens açorianos.
Entrei para o ensino superior,
completei a licenciatura e o mestrado. Depois dos anos de formação, a viver
fora da região, sabia que tinha algo válido para dar à sociedade açoriana.
Surgiu então o “estagiar L”, que me ocupou durante 11 meses. Findo esse período,
resolveram não prorrogar o contrato de estágio. Fiquei desempregado e sem perspectivas
de inverter a situação, dada a falta de oportunidades e o fraco dinamismo da
ilha onde vivo, a Graciosa. Esta é a minha realidade e a de muitos jovens
açorianos: empurrados para o desemprego, para o trabalho precário e para o
desempenhar de tarefas que não correspondem à sua qualificação académica e
profissional. E assistimos incrédulos àqueles que têm menos qualificações a
conseguirem empregos com maior facilidade do que nós com formação superior.
Depois dos responsáveis políticos
terem andado décadas a pregarem a importância de uma sociedade educada e habilitada,
a verdade é que ela não é capaz de incorporar e usar a seu favor a geração mais
qualificada de sempre na região e no país.
Na minha ilha, a Graciosa, assim
como no conjunto da região, não há falta de trabalho. O que há é falta de visão
e vontade política. Dizem-nos que não há dinheiro, mas esse não parece ser o
problema. Quando se gastam 1200 milhões de euros numa estrada, não nos venham
dizer que não há dinheiro, que nós não aceitamos!
Que futuro terão os Açores, se
afastam os seus jovens qualificados e colocam gente inabilitada, inclusive em cargos
de responsabilidade?
Não podemos continuar assim. Em
vez de nos empenharmos em construir uma sociedade evoluída, moderna e que responda
aos problemas das pessoas, estamos a desperdiçar uma geração de gente competente
e qualificada. O futuro dos Açores não é a ignorância, é a educação, a
democracia e a igualdade de oportunidades.
Os jovens podem estar desiludidos,
mas não estão vencidos. Quem detém o poder nesta região, deve saber disso.
Estamos vivos e, mais cedo que tarde, lutaremos com determinação por uma região
que responda aos nossos problemas.
3 comentários:
Força doutor e que encontre justiça e gratidão na sua profissão!
Bom artigo e muito bem escrito, reflete bem a realidade nacional e da graciosa.
Sabe-se bem o que lhe fizeram e porque, nao desanime e continue a luta que dará frutos, mais cedo ou mais tarde...para o seu bem, para o bem da graciosa e dos seus habitantes
Esta geração está mesmo à rasca e não se vê grandes perspectivas de futuro e com a crise o egoísmo e o individualismo vão entar num processo de aceleração e agravamento
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